Título retirado da música Vamos fazer um filme, Legião Urbana.
Se diz querer, ficar. Às vezes até a petulância de pegar. Mercado. Materializou-se o abstrato e amar é algo repentino, nada de fato. Mas amar é um verbo imenso e que se confunde em sua singularidade. Acontece que esse verbo foi sendo deixado de lado e virou substantivo, ou um advérbio de intensidade.
Trago idéias, digo a saudade, me encanto com seu sorriso, mas me falta aquelas palavras. É o medo atenuante da entrega.
Massificaram os sentimentos demais. Dizer que te guardo virou refrão de comercial barato. E honestamente não gosto de clichês.
Me desfaço dessas tendências, é minha dose de essência.
Fantasiando aos poucos, vou tornando a vida mais real, para preservar o que de tão raro virou banal. Se consideram uma bijuteria tanto faz, para mim amar ainda é um relicário.
Acendem as luzes, ao meu fundo cenário urbano, sem roteiros premeditados. Questiono, duvido e lentamente rascunho um balbucio. Serenamente assustador. Quem sabe poderei simplificar todo o tormento e paz que me anseia e como qualquer equação tem seu resultado, depois de tantos cálculos eu chegue a solução.
Sob toda vulgaridade, por trás de olhares de malandragem, corpos cansados de jogos de atração e olheiras como uma bagagem de insatisfação.
Dilatando pouco a pouco a retina, mostrando um feixe de luz sob um desvio ocular, acelerando os batimentos e se entregando a um sentimento, milagrosamente se reconstituindo a pureza e incerteza de dizer, eu te amo.






