Certas coisas cá entre nozes, estão além das palavras. Bem vindo!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Quando o circo pegou fogo


Fiquei sabendo que seu circo pegou fogo. Suas encenações não convencem o bastante e você perdeu o público. Muito mais que o público, perdeu a quem te admirava.
Bem se sabe que no início do show toda aquela euforia, fantasia, convida tanto, mas com falta de dedicação todos seus atos se tornam uma palhaçada.
É caro participar dessas suas histórias contracenadas e ainda me sinto por vezes desfalcada, como se houvesse sido uma perca de tempo.
Você com sua pose natural, e eu com a minha de gladiadora, emocional e lutadora. Sua tranqüilidade era tanta que se esqueceu de lembrar que não se controla o tempo. E eu combatendo acirradamente os segundos para guardar o que havia de bom e puro, me fez cansar demais.
Aplaudi por amor, e chorei como Pierrot. Depois da negligência, o circo acabou, e nem sei que rumo tomou.
Apenas sei que é frio o que sobrou do calor de nossa companhia, e é falta o que preenchia meus dias de histórias.
O circo pegou fogo, e mesmo como fã decepcionada fiquei até o final, até ver as cinzas. Só para crer. E o vento sopra, leva cada cinza do que era nosso e se perde por aí.
Até que talvez um dia esse cinza seja a cor que falta em um sorriso no palco, e traga vida ao que hoje está escasso.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Quizás



Abra as cortinas, desvendando esse véu de medo em nossos rostos. Acenda uma vela, como um sinal de luz quando tudo já está afastado e perdido demais.
Sento ao seu lado e vejo em seus olhos aquele meu reflexo um pouco ofuscado. Sou eu que vivo em seus sonhos e que mostrando a imagem reconhecida pelo cérebro, me mostra entre seu castanho.
E é você que na mesma dúvida, se enxerga em meu sorriso esboçado e em meus braços apesar de recuados prontos para envolvê-lo.
Vai ver não exista uma tampa para cada balaio, mas sim rolos de lã que se entrelaçam de maneira tão forte que é difícil dizer quem começou o nó e quando este vai terminar.
Talvez hoje com minha ansiedade atenuante eu pense que costuramos tantos retalhos, resistimos a tantas agulhadas sem destreza que me ponho a terminar essa costura.
Existem seus fios, meus fios, e nós unindo-nos. Feitos em meio à confusão e paixão.
E nessa hora os lábios não conseguem emitir as palavras internas, falar o sentir limitaria demais. Deixe ser, deixe vir os pensamentos e sentimentos entre nossa companhia mútua.
Depois de passar vários dias se esforçando e resolvendo todos os problemas que ficam no cotidiano. A mente cansa um pouco e pensa naquele porto, ah e nessa hora que reconhecemos nosso ponto de desembarque e embarque.
Flutuamos, navegamos em incertezas e ilusões e jogamos a âncora em um mesmo ponto.
Em um ponto talvez sem muitas saídas, naquele ponto em que unimos nossas reticências.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

E hoje em dia como é que se diz eu te amo?


 Título retirado da música Vamos fazer um filme, Legião Urbana.


Se diz querer, ficar. Às vezes até a petulância de pegar. Mercado. Materializou-se o abstrato e amar é algo repentino, nada de fato. Mas amar é um verbo imenso e que se confunde em sua singularidade. Acontece que esse verbo foi sendo deixado de lado e virou substantivo, ou um advérbio de intensidade.
Trago idéias, digo a saudade, me encanto com seu sorriso, mas me falta aquelas palavras. É o medo atenuante da entrega.
Massificaram os sentimentos demais. Dizer que te guardo virou refrão de comercial barato. E honestamente não gosto de clichês.
Me desfaço dessas tendências, é minha dose de essência.
Fantasiando aos poucos, vou tornando a vida mais real, para preservar o que de tão raro virou banal. Se consideram uma bijuteria tanto faz, para mim amar ainda é um relicário.
Acendem as luzes, ao meu fundo cenário urbano, sem roteiros premeditados. Questiono, duvido e lentamente rascunho um balbucio. Serenamente assustador. Quem sabe poderei simplificar todo o tormento e paz que me anseia e como qualquer equação tem seu resultado, depois de tantos cálculos eu chegue a solução.
Sob toda vulgaridade, por trás de olhares de malandragem, corpos cansados de jogos de atração e olheiras como uma bagagem de insatisfação.
Dilatando pouco a pouco a retina, mostrando um feixe de luz sob um desvio ocular, acelerando os batimentos e se entregando a um sentimento, milagrosamente se reconstituindo a pureza e incerteza de dizer, eu te amo.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Por um acaso



Por um acaso se encontraram. Antes de cada um seguir para uma cidade diferente.
Diferença, que era o que tanto os atraíam, ela acreditava nos dois como um acaso e ele no destino. O tipo de crença contrária que já são naturalmente interligadas.
Ela disfarçadamente sorria e o cumprimentava, ele disfarçadamente cumprimentando sorria.
Como em qualquer estado de choque, ele respondeu em um movimento ao medo de seu corpo, em um abraço.
Ela se assustou e fechou os olhos. Tentando deixar fluir as palavras que pensava no entrelaçado dos braços.
Tanta coisa para lhe dizer antes de partir:
''Acelere. Acelerando no guidão da bicicleta ou engatando a marcha do carro.
Corra como se não buscasse nada, que na surpresa você ainda encontra um pouco de tudo.
Deixe criar face aquilo que realmente é verdadeiro em sua vida, que a areia movediça de seus enganos serão submergidos. Serão afundados como essa angústia que não te permite terminar a xícara de café sem se perguntar: Porque?
Porque foi. Se foi.  É amargo às vezes se lembrar, mas a vida não te mima, apenas mime quem você gosta e a si. Que o vício de ontem seja seu antídoto de hoje.
O ar passe por seus poros como regeneração e a luz calcifique seus ossos enfraquecidos.
Não coloque seus pontos finais com tanta dor, tudo é findável. No infinito de cada momento deixe nascer seu fervor, seu amor. E então guarde esses seus segundos e lembre de todas as lacunas que ainda terão de ser preenchidas por você. Meu amigo tenha fé.''
As palavras que eram interpretadas através de um código Morse sob os dedos tão tensos que repousavam sob seus ombros.
Era medo, calor, era divino aquele abraço. Era amor. E isso era o bastante para que cada um entrasse em seu carro e soubesse que logo haveriam de se reencontrar.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Mutação natural



Uma dose de analgésico. Para amenizar a dor que lateja quando o corpo já fraco não segue a mente e os ossos vão se descalcificando e se rendendo a certo sedentarismo.
Doente, você supõe. Sim, talvez fosse a hora de admitir que por vezes se cansa, fadiga, que nada é tão perfeito como se costuma pintar para as pessoas ao seu redor.
Pensarias que aceitar uma queda é tão ultrajante, devemos permanecer mesmo que mortos por dentro, com aquela imagem de guerreiro coberta por um bronze refinado a sangue.
Essa estátua que nem se sabe quando foi posta, mas apenas imposta bem antes de nascermos, já carregada por nossos ancestrais é por mim hoje largada.
Cristalizo minhas lembranças, por causa de suas fragilidades, mas também pela beleza que possuem.
Serei quem sabe uma guerreira, mas encontrarei meus fantasmas vez ou outra para poder enfrentá-los e não cobri-los.
Voltarei suja de lama da batalha simplesmente porque além de poses, tenho mãos que se atam e desatam em ações.
Chegarei cantando sonetos de minhas histórias, viverei as canções que tanto me estimulam, tocarei pouco a pouco a vida com ar de aprendiz.
Com medalhas ou não, ressalvo aquela força guardada, que bagunçada em meio ás incertezas e superficialidades, se perde e se confunde.
Você se perguntaria: Pra quê bancar algum heroísmo? Pra quê ser tão forte? Tudo isso não é um porre mesmo que você tenta driblar ou apenas empurrar o suficiente para continuar vivo?
E responderia para si mesmo no afago de um abraço, em um beijo com paixão, em um sorriso terno ou em uma lágrima caída em sua mão. ''É muito mais.''
Sentirias que nesse momento sem mutações, ou quadrinhos seria o herói de si mesmo e de quem você se compartilha. Constantemente se esqueceria de seus poderes mas ainda viveria outro tantos momentos como esses que te lembrariam que se pode ser forte não por glória de majestades mas por encontrar a glória de si.
Chorarias, sorririas, e guardarias esse ensinamento tão secretamente como um medo. Não perceberias imediatamente, erraneamente para o mundo mas o certo para si, estarias vivendo. 


domingo, 16 de janeiro de 2011

Emocionalmente científica




Dinamicamente se dava a rotação dos fatos, sem nenhum indício que mostrasse que seria seguro a paralisação.
Progressão era o necessário, como em qualquer curso durável, meu sistema já estava até um pouco enferrujado, meio gasto pelo meu desgaste.
Um instante de sorriso. Um instante de tristeza. Acabei me perdendo em um instante e esqueci que ele era apenas um momento e depois deste ainda vêm outros segundos.
Fugaz, escapava pelos dedos, não podia compreender a vida. Naquele momento ela não precisava ser entendida, mas feita.
Meu disco rígido comprometido, porém a máquina continuava toda sua engrenagem.
Pensamentos quebrados, procurando alguma ferramenta para encaixá-los. Apenas não se perca.
Experimentos, as teses, porque ainda insistir em um erro?
Porém antes da engenharia e tecnologia, houveram os erros, e ocorreram as descobertas, a ação.
Seguindo a física, me impulsiono. Minha mente e corpo deveriam seguir um movimento retilíneo e constante a partir desse momento. Deixo o passado, não definitivamente, mas apenas o levo comigo e não o carrego. Carregar é sintoma de sacrifício, pena. E o ontem seria apenas uma aprendizagem.
Aprimorar-se. O amor, a poesia, a coragem, unem meus parafusos, mas também machucam. Eram feitos de ferro muito bem soldado e construíam a alegria, aquela que tanto buscava, só é provada depois de lapidada.
Como um cientista obcecado procurava a perfeição de minhas peças, a chave que me proporcionaria plenitude. Nesse momento só tinha plenitude na falta, que sonhando demais esqueci que sonhar se divide.
Me divido então como um átomo em todos meus instantes, e me uno neles. Esperando talvez durante meu caminho aqueles momentos inesperados que todos esperam.
Vou formando minha solidez na rapidez dos dias, á espera, mas também em construção. Dia a dia me reinventando.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Síndrome de Bela



Talvez ainda não é de conhecimento geral, mas a Bela e a Fera é uma das histórias mais excêntricas quanto aos contos.
Aos poucos fui me encaixando nos detalhes e pude até alcançar certa observação.
Desde o início Bela é considerada atípica, quanto à maioria ao seu redor. Minha eterna mania de ver além, comparar a vida ao livro, estimando as emoções.
As outras esperavam o príncipe, belo, e que  para elas tudo fizesse, eu criava a convicção de que o real príncipe nunca vem com a placa na testa, e realeza não era questão de dinheiro, mas nobreza nos sentimentos, ser leal ao que se sente.
Aparecem Gastons na vida tão cheios de si, juram que suas concepções machistas são tudo que uma garota sonha, mas se enganam.
Me perguntam porque não aceitar o Gaston, simplesmente porque mulheres e homens merecem mais em uma união do que atração e sim afeição.
E a Bela caminhava pelos campos, se perguntando se algum dia suas idéias seriam melhor interpretadas.
Nessa parte ela conhece a Fera. Engraçado como a Fera é a própria concretização de tudo que espanta e horripiliza.
Porém a Bela se atreve, mesmo com medo, a enfrentá-la.
A Fera muito mais que um ser é estar diante de seus medos, e hoje eu enfrento as tantas feras que existem, a negligência, a precipitação, falsidade, desapego. Me fortaleço, me descubro.
Meio aos balanceios me sustento e penso, melhor que encontrar a utópica realeza é encontrar alguém real, que me queira mais que no escuro, que me acompanhe no verão ou no inverno. E além de sonhos seja minha realidade.
Quem sabe eu espere mesmo a Fera, que de monstro não tinha nada e era apenas alguém que descobriu a si mesmo ao encontrar o amor. Aliás havia muito mais carinho e elegância em suas ações do que muito lobo que fica dando pinta de príncipe por aí.
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